30 de set de 2010

FOTO DA SEMANA

Jessyka Moraes

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Skatista: Jessyka Moraes
Idade: 20 anos
Tempo de skate: 9 meses
Cidade: Cuiabá/MT
Manobra: F/s Nosegrind
Local: Pista do CPA 1 - Cuiabá/MT 
Foto: Estefânia Lima



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Agora toda QUINTA postaremos a FOTO DA SEMANA, não fique fora dessa, mande a sua foto pra gente! divas.skateras@yahoo.com.br

28 de set de 2010

ENTREVISTA com Karina "Bamboo",

de Macaé/RJ pro mundo, DIVULGA!

E aquela velha pergunta, do que o skate feminino precisa?
Falta ser mais valorizado pelas marcas daqui. com todo esse acesso fácil aos vídeos gringos, eles costuman ver as meninas lá de fora e achar que a gente está com o nível muito fraco, sem tomar em conta que aqui temos vários fatores que nos prejudicam a ter um nível como o delas, como por exemplo, falta de skateparks ou estrutura para se andar (no meu caso que moro em Macaé), falta de incentivo e apoio para o skate feminino (...)


REUNIÃO IMPERDÍVEL

CONSELHO FEMININO DA CBSK


Estamos convocando as skategirls para a décima reunião deste conselho para a próxima quarta-feira, 29 de Setembro, às 20 horas.

Na ocasião analisaremos por estrelas os campeonatos que aconteceram como 07 etapas do Circuito Sampa Skate 2010, a 1ª e 2ª etapas do Circuito Maremoto, 1ª e 2ª etapa do Circuito Paulista, 1ª e 2ª etapas do Circuito Paranaense.

Assim poderemos elaborar o Ranking CBSk de Street Feminino 2010.

Desta vez nosso encontro acontecerá no Comitê do Thiago Lobo que cedeu gentilmente seu espaço para nós.
Fica na Rua Fidalga, 479, na Vila Madalena, São Paulo/SP, esquina com a Rua Wizard e à 10 quadras do metrô Vila Madalena e 14 do metrô Sumaré.
Na frente no local passam as linhas de ônibus 701A-10 (Metrô Vila Madalena-Pq. Edu Chaves), 748N-10 (Itaim Bibi-Terminal Lapa), 846M-10 (Vila Piauí-Shopping Ibirapuera), 847P-10 (Terminal Pirituba-Itaim Bibi), 847P-41 (Vila Zatt-Itaim Bibi) e 847P-42 (Brasilânida-Itaim Bibi).


Avisando que o Ranking CBSk de Street Feminino 2009 está publicado no www.cbsk.com.br na seção Ranking.

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Criação do Conselho Feminino da CBSk


Aconteceu em 18 de Setembro na Estação Jovem de São Caetano do Sul (SP) o encontro para criação do Conselho Feminino da CBSk.
Este conselho será o canal para que a Confederação Brasileira de Skate (CBSk) possa saber quais são as principais necessidades das praticantes e competidoras e trabalhar para que o Skate Feminino melhore no país.
Na ocasião compareceram representantes das modalidades Downhill Slide/Longboard como Christie Aleixo e Brunna Separovick, Vertical como Karen Jones e de Street como Ana Paula Araújo, Evelyn Leine, Karen Lisboa, Tatiane Marques e a pequena Yasmin, além de Edson Scander da CBSk, Renata Lopes da ESPN, o profissional de Vertical Marcelo Bastos, o downhillzeiro Yago Aleixo entre outros.
Iniciando os trabalhos foi solicitado a cada skategirl presente apontar uma necessidade atual do Skate Feminino brasileiro.
Foram comentados as seguintes:

- criação da categoria profissional especificamente para meninas
- definição de melhores critérios para passagem de categorias
- desenvolvimento de condições para melhorar os patrocínios para skategirls
- criação de condições para aumentar a premiação em competições com categorias femininas
- realização de demonstrações femininas com pagamento de cachês durante campeonatos profissionais
- fomentação da difusão de informação para as praticantes saberem como melhorar o relacionamento com patrocinadores e investidores
- definição de critérios para o Ranking do Bolsa Atleta para meninas
- desenvolvimento de um trabalho de conscientização de promotores de eventos e empresários para investirem mais na categoria
- realização de ações para estimular o aumento da prática de Skate entre as meninas

Foi acordado que estes tópicos levantados serão discutidos nos próximos encontros.

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Fonte: skatefemininobrasil

Wendy Soler (Santa Cruz, Arg)





Fonte: GirlsAssault

Aklecia, skatista do Espírito Santo

em Cuiabá.

Aklecia, skatista do Espírito Santo sabendo que viria para Cuiabá visitar a família, entrou em contato comigo via internet para andarmos de skate juntas, demorou, mas ela veio! Infelizmente só deu certo da gente se encontrar no dia 17 de Setembro/2010, numa sexta feira de manhã, 40ºC "na sombra", pena que no dia seguinte ela iria embora cedo :(

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Aklecia descalça.
Ela chegou na pista de chinelo, sem skate... Perguntando pra mim de alguma skateshop, porém não pude indicar nenhuma, infelizmente /ou felizmente fazem anos que não compro nem parafuso por aqui... Ficamos conversando, até que eu ofereci meu skate pra ela dar um rolê, ela foi descalça e dropou o quarter, eu animei, já tirei meu par de tênis e ofereci pra ela tbm... Tirei a câmera da mochila, já sabendo que renderia algumas imagens pra gente postar aqui depois...


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Aklecia calça 37, mas estava usando tênis nº 35.
Esse Bs Rockslide foi suado, ela nunca tinha acertado num corrimão desse tamanho, e vocês bem sabem da dificuldade que é de andar com skate, tênis dos outros... Mas isso não foi impecílio para Aklecia! 



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Aklecia - Bs Rockslide
Ela já prometeu voltar nas férias de final de ano, não vou nem viajar, já estou esperando outras skategirls aqui também, como Isabela D'Loan de Brasília/DF, Petala Guerra de Campo Grande/MS e vocês que estão lendo, sintam-se convidadas!!! Vamos fazer uma tour aqui no Mato Grosso, Aklecia já me deixou essa dica, rs! Valeu!!! 

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Aklecia e Estefânia.

27 de set de 2010

Monica Torres

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Monica Torres marcou presença na Premiere do vídeo Divas Skateras, em São Caetano do Sul, SP (2010)

Ela é local da Pista do Carandirú, situada em São Paulo, SP.  Os vídeos abaixo são de 2008 e 2009, respectivamente. Brinca ela, que deu uma melhorada de lá pra cá. Já confirmou sua parte no próximo vídeo Divas Skateras, então imaginem o que vem por aí!!!







26 de set de 2010

Skate Like a Girl TEEN CAMP July 2010

Maddy, Hannah, Erin e Ruby. (idades 12-16)


25 de set de 2010

Sowl Bowl: 2008 S3 Supergirl Jam

Pra recordar.

DANIELA INOSTROZA (CHILE)

Mini promo.





Fonte: Girls Assault

Women's Street Finals: 2008 S3 Supergirl Jam, in Huntington Beach.

Pra recordar.

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24 de set de 2010

Campeã Mundial, Leticia Bufoni fala do título inédito para o skate brasileiro

Enquanto em Costa Mesa na Califórnia Chris Cole levantava a taça e o cheque de 100mil dólares, Letícia Bufoni estava em seu apartamento em Los Angeles se preparando para jantar com as amigas e o namorado. Naquele dia a skatista de 17 anos havia conquistado o bicampeonato no skate street feminino do Maloof Money Cup. Mas ao invés de festa a skatista preferiu o sossego.

Foi exatamente neste ritmo que Letícia Bufoni escreveu definitivamente seu nome entre as grandes do skate feminino, depois de uma rotina de quase 40 dias ininterruptos de skate na Europa, Bufoni teve pernas para aguentar os dois campeonatos mais disputados do ano, os X Games e o Maloof Money Cup.Em dois fins de semana seguidos Leticia acumulou um segundo lugar nos X Games e o título do Maloof Cup. Um dia após esta maratona, Bufoni partiu em turnê com outras skatistas pelo Estados Unidos afora. 

A divulgação do ranking de street feminino da World Cup of Skateboarding foi feita na noite da última segunda-feira (20) e anunciada em primeira mão pelo espn.com.br/skate. No dia seguinte ligamos para a Letícia para ouvir suas opiniões sobre o título, neste momento que recebemos a surpresa que Letícia não sabia ainda que acabava de se tornar campeã mundial. Passado o susto fizemos um breve entrevista com a Letícia que explica, entre muito assuntos, porque evoluiu tanto em 2010.

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Mini ramp no topo do mundo
Foto: Ana Paula Negrão

  

  Minha carreira vai mudar bastante. Da mesma forma que mudou quando venci meu primeiro campeonato grande.
 
  
--Letícia Bufoni, Campeã Mundial Skate Street WCS 2010

Leia abaixo entrevista exclusiva com Letícia Bufoni feita por skype.

Olá Leticia. Vamos ligar o vídeo?
A não! Minha cara está inchada, acabei de acordar!
Só se eu colocar um óculos escuro. (risos)

Fale um pouco sobre o título da WCS?
Eu estava há dois anos em segundo no ranking, este ano tive a felicidade de vencer o ranking mundial. Estou muito feliz. Na verdade eu acabei de ficar sabendo.

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Leticia comemorando sua primeira medalha nos X Games
Foto: Tati Cardoso

Ficou surpresa com o título?
Na real eu não fiquei muito surpresa, pois eu já esperava o título devido as minhas colocações no campeonatos do circuito

Como foi o circuito feminino de 2010?
Nossa, foram muitas etapas, as etapas da Europa. Participei de todos os eventos da WCS este ano. Foram difíceis os campeonatos.
Os campeonatos mais difíceis foram o Maloof e o X Games. As meninas estavam andando muito. Mas graças a deus consegui andar, acertar as manobras. Foi muita emoção.

Letícia já tinha o dominío de manobras técnicas, o passo
marcante do investir em obstáculos altos. 360° Flip
Foto: Ana Paula Negrão

Deu tudo certo neste ano?
É, este ano foi muito bom. De seis campeonatos venci 4 e fiquei dois em segundo. 
Fui para a Europa e todos os campeonatos da Europa me ajudaram bastante.
Acabei treinando e quando cheguei na Califórnia para os X Games e para o Maloof eu estava preparada.

O que mudou de 2009 para 2010, levando em contra que em 2009 você não ficou entre as três primeiras nos X Games?

Resumindo eu cresci um pouco mais. Isso ajudou bastante para pular escadas. As escadas grandes dos X Games e a enfrentar os corrimãos.

No ano passado, a última parte com aquelas escadas gigantes e os corrimãos foram um grande problema, pois eu não fazia boas manobras.

Esse ano já treinei bastante em escada, corrimão, treinei em pista que ajudou muito. Além disso cresci um pouco, isso ajudou bastante.

O que muda agora após o título da WCS?
Acredito que minha carreira vai mudar bastante. Da mesma forma que mudou quando venci meu primeiro campeonato grande.
Já não sou aquela Zé ninguém que chegou do Brasil ontem, o pessoal começa a respeitar mais.

Como você vai fazer para comemorar o título?
Nossa, agora você me pegou. Hoje vai ter um jantar com as amigas. Ninguém sabia do título, mas vou acabar contando para todo mundo no jantar. Será uma espécie de comemoração.

Volte a dormir Letícia.
Vou tentar dormir um pouco, mas tenho que sair daqui a pouco mesmo. (risos)

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Este Gap é um dos picos clássicos em Los Angeles. Letícia, mesmo trabalhando como skatista profissional, divide seu tempo estudando em um cológio na cidade.
Foto: Ana Paula Negrão

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Hoje a base do skate de Letícia vai muito além de obstáculos simples. A skatista consegue misturar estilos diferentes, indo de escadas grandes, corrimão, bordas e trambém transições.
Foto: Ana Paula Negrão


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Estilo foi um das qualidade que renderam a Letícia o título de campeã mundial de skate street de 2010.
Foto: Ana Paula Negrão - www.anapaulanegrao.com
Fonte: ESPN

Annika Vrklan - Blunt to fakie

Sem medo de skate

Por Camila Melo Puni

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Skate é superação de limites e medos, e além disso insentiva a líderança dentro de cada um.

O Centro Social Ecológica de Almirante Tamandaré, com a Educadora Social Camila Melo organizou uma aula externa na Pista Drop Dead em Curitiba-PR, nos dias 22 e 23 de setembro, para que os educandos/as pudessem vivenciar ao máximo essa superação do próprio limite que é o Skate.

Para trocar uma idéia com a galera da Ecológia, a skatista Kali Ananda de 26 anos compareceu com seu board e truck de oncinha, toda no estilo conversou com as meninas, ensinou a dar as primeiras remadas e principalmente desmistificou o tão "perigoso skate". 

Foram dois dias extremamente marcantes na vida de cada jovem que nunca tinha entrado numa pista de skate e que tão pouco tinha enfrentando de cara seus próprios medos.


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Rafa Garcia e Kali Ananda

Annika Vrklan - Bunny Style

Ela tem apenas 6 aninhos de idade.



Fonte: GRO

22 de set de 2010

Amor sem fronteiras - A skatista Adelita Garrido Montero se apaixonou por um americano.


Adelita avistou Francis pela primeira vez em uma boate descolada de São Paulo, quando estava se despedindo do Brasil para embarcar para a Califórnia, nos Estados Unidos. Francis era gringo, estava no país a trabalho e havia sido carregado para a balada por um sócio. ''Eu estava comemorando meus últimos dias em São Paulo, pois ia participar de dois campeonatos de skate e de uma feira de negócios em San Diego e Orange County. Ouvi alguém falando inglês, o que era bem incomum, e me dirigi até a pessoa para testar minhas habilidades com a língua.

Acabou que o cara era da Califórnia e eu contei pra ele sobre minha carreira como skatista e sobre como minha agenda estava nos próximos meses. Senti-me atraída desde aquele início.'' Os dois trocaram telefones e encontraram-se na noite seguinte. ''Eu fui até Santo André para buscá-la. Ela me mostrou São Paulo e depois fomos assistir a um show de reggae'', lembra Francis.

Ao aterrissar na Califórnia, em agosto de 2000, Adelita ligou para o escritório do americano. Mesmo estando a duas horas de distância, ele pegou o carro e foi vê-la. ''Eu a convidei para jantar e dirigi pela costa de Del Mar no meu conversível. Estávamos nos apaixonando.'' Em dezembro de 2000, o visto de turismo de Adelita expirou, obrigando-a a dizer adeus e voltar para o Brasil. Assim que chegou, percebeu que sentia saudade de Francis.

''Em fevereiro de 2001, surgiu a oportunidade de participar de outro campeonato em Long Beach. Consegui outro visto de turista, liguei para Fran e decidimos que eu ia ficar na casa dele em Seal Beach. Logo estávamos discutindo nosso futuro juntos, e eu queria que ele conhecesse minha família. Pensávamos em nos casar e eu começaria a estudar.'' Adelita se cadastrou em alguns cursos de uma faculdade e conversou com uma conselheira de lá para saber o que precisaria para conseguir um visto de estudante. Ela preparou a papelada e, em seguida, o casal pegou um avião para o Brasil para encontrar os pais dela.

''Quando fomos ao consulado em São Paulo para mudar meu visto de turista para um visto de estudante, não somente negaram o de estudante como cancelaram o de turista que ainda não tinha expirado. Foi um pesadelo. Disseram que eu estava passando mais tempo nos Estados Unidos do que no Brasil.'' ''Ficamos arrasados'', lembra Francis. ''Estávamos muito apaixonados e fomos forçados a dizer adeus por tempo indeterminado. Tive de voltar pra casa sozinho. Adelita ficou no Brasil tentando conseguir novo visto, mas era continuamente negado.''

Desesperado, o americano pediu conselhos a um advogado de imigração, que disse para ele trazer sua namorada para os Estados Unidos pelo México e, depois, casar-se com ela, achando que, assim, poderiam ajustar o status dela. Num momento de impulso e saudade, Adelita embarcou para a Cidade do México, onde pegou uma conexão para Tijuana. ''Era 4 de julho e haviam muitos carros na estrada. Pessoas demais estavam voltando do feriado e era a oportunidade perfeita para pegar carona até San Diego. Foi exatamente o que eu fiz.

Passei pela fronteira sem responder a pergunta alguma. Foi simples.'' ''No dia 5 de julho de 2001, eu e Adelita nos encontramos novamente. Eu me ajoelhei e a pedi em casamento. Ela imediatamente disse 'sim' e nos casamos cinco dias depois, em Las Vegas.'' Francis e Adelita estavam nas nuvens. Depois do casamento relâmpago, encontraram-se com um conselheiro de imigração que os informou que, que a brasileira estava casada com um cidadão americano, poderia dar entrada para sua residência permanente nos Estados Unidos. Os recém casados, mais uma vez, preencheram a papelada necessária. E receberam outra notícia terrível. A imigração rejeitou o pedido dela por ter entrado no país sem qualquer inspeção.

''Eu não estava entendendo nada, era tudo muito complicado. Ninguém havia me dito que se eu ficasse nos Estados Unidos ilegalmente por dois anos, estaria sujeita a 'ten year bar'. Quando você fica mais de um ano ilegalmente, só pode tentar entrar no país novamente depois de dez anos. Foi muito doloroso quando me dei conta do que eu havia feito.''


''Rezávamos por uma mudança''


Adelita ficou nos Estados Unidos e, em 2002, descobriu que estava grávida. O casal decidiu que não podia abandonar o negócio, que ia bem. ''Durante esse tempo, ela foi para a faculdade aprender inglês. Adelita também tinha um plano de saúde por meio da minha companhia e nosso casamento estava cada vez mais confortável. Rezávamos por uma mudança nas leis deimigração, pois, na época, havia uma discussão grande no país, mas nada aconteceu.

Pensei em vender meu negócio para focar na Adelita, no nosso casamento e me mudar para o Brasil, mas ela não queria que eu largasse meu sonho de ser dono da própria companhia. Ela também tinha medo de que eu me arrependesse de ter me casado com ela. Concordamos em não separar a família e decidimos esperar.'' Anos se passaram. Longe da família brasileira, Adelita se remoeu e sofreu.

Em 2009, sua carteira de motorista expirou. Para renová-la, teria de provar que era residente permanente. Sem poder dirigir, sua vida tornou-se insuportável. Não podia buscar seu filho na escola, não podia sequer ir ao supermercado. Sua existência tornou-se inútil e em abril de 2009 deu à luz outra criança. ''Foi aí que decidimos recomeçar o processo de imigração para pedir que o governo dos Estados Unidos perdoasse Adelita por sua moradia ilegal e retirasse a penalidade da 'ten year bar'.

Foi muito doloroso, mas sabíamos que era hora de lidar com as decisões que tomamos em 2001'', conta Francis. A fim de usufruir dos benefícios desse perdão, que os americanos chamam de ''waiver'', é preciso provar que um parente americano vai sofrer emocionalmente, fisicamente e financeiramente. Não é algo fácil de se conseguir.


''Não tinha mais o que fazer''


Para isso, Adelita teve de voltar para o Brasil voluntariamente. Depois de ser prisioneira dos Estados Unidos, ela lembra bem das dificuldades de ser uma imigrante ilegal na América:

''Durante todos esses anos, eu não pude arranjar emprego e tive de depender financeiramente do meu marido. E eu sentia muita saudade da minha família no Brasil, e não pude vê-los por nove anos! Foi algo muito difícil para mim. Meu avô faleceu e eu não o via há anos. De repente o perdi para sempre. Além disso, perdi oportunidades profissionais e de viagens. Por ser ilegal, paguei o triplo do custo da universidade. Fiz amizades com americanos, mas sempre mantive esse segredo de que eu era ilegal.

Tinha receio de as pessoas me julgarem, de me rotularem e de não verem a pessoa que eu realmente sou. Durante esses anos, tentei sempre olhar pelo lado positivo das coisas, mas, depois de tanto tempo, minha situação começou a pesar. A gota d'água foi quando a carteira de motorista expirou. Não tinha mais o que fazer.''

Ela voltou para o Brasil em maio de 2009, com Michael, seu bebê de 1 mês e meio, e sem saber se teria de ficar ausente por dez anos. Permaneceu em Santo André, na Grande São Paulo, até o dia da entrevista que decidiria sua vida, rezando para que a situação fosse finalmente resolvida. Adelita precisava que o governo americano abrisse uma exceção e perdoasse sua atitude impensada.

A espera não foi fácil. Francis a visitou com Joseph, o filho mais velho, em julho, e a família pôde passar curtas férias em Juqueí, no litoral paulista. Em agosto, ele retornou para os Estados Unidos, deixando o primogênito no Brasil para mais tarde ser levado de volta pra casa pela avó materna. Com a família separada, ela se sentia morta. ''Eu era quase como uma alma penada.''


''O natal foi cancelado este ano''


No fim do ano, Francis e Joseph voltaram para passarem o Natal juntos. Mas quando desembarcaram em solo brasileiro, a Polícia Federal impediu a entrada deles no país. Ao ouvir o menino chorar, um policial disse: ''O Natal foi cancelado este ano''. Os dois tiveram de voltar.

''Este é o meu apelo, do fundo do meu coração, com cada pedaço da minha integridade e das minhas crenças. Eu imploro por misericórdia e compreensão. Que seu senso americano de justiça faça o que é certo. Os fatos nesse caso vão mostrar que é certo perdoar minha esposa, Adelita, e deixar nossa família viver junta em paz'', pediu Francis em uma carta ao governo.

Em 17 de fevereiro de 2010, Adelita conseguiu o que parecia impossível: o perdão do governo americano. Em 31 de março, o novo visto chegou a suas mãos e desde 3 de abril de 2010 a skatista está legalmente nos Estados Unidos. A volta por cima foi merecida.

Hoje, a brasileira, aos 29 anos, tem uma empresa de publicidade e gerenciamento de redes sociais chamada Mariposa Social Media Marketing, e ocupa seu tempo andando de skate, trabalhando, e cuidando dos homens de sua vida. ''É preciso ter muita fé em Deus, mas antes de tudo, consultar um advogado'', conclui Adelita.


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A skatista brasileira Adelita Garrido Montero entrou nos Estados Unidos pela fronteira do México e ficou sem poder voltar para o Brasil por nove anos

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Desde abril deste ano, Adelita, com o pequeno Michael, de 1 ano e 5 meses no colo, voltou a levar Joseph, agora com 7 anos, para a escola, dividindo-se entre os cuidados com a família e os negócios

Fonte: CONTIGO
Fotos: Ana Paula Negrão