14 de jun de 2011

A PRIMEIRA SKATISTA TRANSEXUAL





Memorizem bem a data de hoje. É o dia em que a cena do skate mudará para sempre. Hoje, o mundo ficará conhecendo Hillary Thompson, a primeira skatista transexual.
Quando ouvi falar da Hillary Thompson, minha musa de Raleigh, Carolina do Norte, achei se tratar de só mais uma lenda urbana. Algo tipo as histórias do Monstro do Lago Ness e do Coelhinho da Páscoa: seria incrível se fosse verdade, mas tinha sérias dúvidas quanto a isso.


Até que, um dia, quando já andava à procura dela tinha seis meses — na internet e através dos meus amigos na Carolina do Norte — o telefone tocou. Do outro lado, estava o meu amigo Mike Sinclair, manager de equipe da Toy Machine and Foundation. Ele estava num pico de skate em Raleigh e tinha encontrado a Hillary.
Liguei de imediato para os meus amigos da King Shit. A King Shit é uma revista de skate canadense com a qual eu e o Dave Carnie costumamos colaborar e que nos permite fazer todo o tipo de merdas que queremos, um pouco como acontecia nos tempos da Big Brother. Sabia que eles seriam perfeitos para a história da Hillary.
Assim que me de deram luz verde e o número de telefone da Hillary, as coisas aconteceram muito rápido. Dentro de poucas semanas, estava metido num avião em direção a Raleigh, acompanhado da minha mulher e do meu filho, pronto para conhecer a Hillary em pessoa.

Quando finalmente a conheci, senti um misto de adoração e pena. O mundo do skate se tornou tão desinteressante e enfadonho que o meu coração se rejubila nas raras ocasiões em que conheço alguém seguindo o próprio rumo e, para mim, não existe nada mais punk rock do que uma skatetista transexual. Mas o conjunto vem com um monte de dores de cabeça: dramas interiores, alienação, medo, solidão. Quando conheci a Hillary, ela estava passando por tudo isso e muito mais, como podem reparar na entrevista. Foi preciso mais de uma hora de conversa num café para que ela finalmente baixasse a guarda e se abrisse comigo.

Tudo isto ainda é muito novo para a Hillary. Ela ainda está aprendendo a lidar com a mudança e a se sentir confortável na presença dos seus antigos amigos na comunidade skatista. Acho que esta entrevista vai ajudar a acelerar o processo. A Hillary ainda é jovem. Daqui a dois anos estará mais à vontade consigo mesma. Daqui a cinco ou dez anos, consigo vê-la transformada numa mulher confiante e feliz.

Este vídeo e esta entrevista são a minha Capela Sistina. A minha Mona Lisa. Nem daqui a cem anos vou mse sentir mais orgulhoso do que me sinto hoje. Hoje, o dia em que apresento a vocês a história da Hillary.

Para lerem a entrevista completa, visitem a Kingshitmag.com [em inglês]

POR CHRIS NIERATKO VICE US
TRADUÇÃO POR EQUIPE VICE BR





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