3 de mar de 2011

Karen Jonz, Rainha do skate no país vai da arte à moda, mas põe esporte como prioridade.


Fernando Pilatos/UOL
Skatista Karen Jonz mostra um pouco do seu trabalho como artista e estilista


Eu sou skatista e sempre vou ser. O resto veio junto...” Karen Jonz faz questão de deixar bem clara qual é sua prioridade, mas em seguida, mostra que está dividida. “...Mas acho que ninguém é uma coisa só.” Melhor skatista do Brasil, a santista radicada em Santo André, no ABC Paulista, é uma desbravadora nesse esporte no país, mas as paredes de sua casa não escondem que ali vive uma artista. Em muitos sentidos.
Com dois títulos do circuito mundial e quatro medalhas nos X-Games - mais importante competição de esportes radicais no mundo - Karen é a única mulher a conseguir bons resultados no skate brasileiro. Mas os quadros, os desenhos, as pinturas, as colagens com traços muito característicos, os recortes de tecidos e até mesmo uma máquina de costura entregam que a pranchinha não é sua única paixão.
“A arte vem primeiro, desde criança. Desde pequena eu desenhava e brincava com tinta, meu pai me incentivava e nunca parei. Foi uma coisa de criança que continuei”, explicou, ainda no começo da entrevista. Seu cabelo, sua maquiagem, sua roupa ainda a preocupavam. “Vocês tão vendo que sou fútil, né?”, brincou.
Karen começou no esporte quando deixou a Baixada Santista e sua prancha de surfe. O skate subiu a serra como uma brincadeira que ficou séria. “Antes disso, não conhecia ninguém que andava, mas era influenciada pelos meus ídolos, que são ídolos de meninos. Sempre gostei de Bart Simpson, Beavis and Butthead... Mas eu não sou sapatão!”, enfatizou a skatista, em mais um de seus arroubos de auto-definição.
Se a arte entrou na sua vida de forma natural, ainda quando criança, a moda teve o mesmo caminho. Primeiro foi por necessidade. Ela não se conformava com as roupas que as lojas vendiam. Queria do jeito dela e fez do jeito dela. “Às vezes eu olhava e pensava: se isso fosse um pouco mais para a esquerda, ou um pouco maior, ou se esse zíper fosse de outra cor. Eu ficava incomodada com aquilo.”
“Eu via os pijamas que minha mãe vendia e ficava inconformada. Aí ela falou: ‘Por que você não começa a fazer suas roupas?’ Pensei: ‘Tem razão!’ Nunca encontrava as coisas do jeito que eu queria. Sempre olhava e falava: isso podia ser diferente. Também comecei a viajar bastante, ter outras referências e querer trazer algumas coisas”, completou.
Juntar a arte com a moda foi o segundo passo: “Comecei a fazer bastante colaboração com as marcas que eu tinha e tenho patrocínio. Eu desenhava para eles, fazia sugestões. Até na Element eu cheguei a levar muita coisa. Agora, já é mais normal isso de arte dentro de todas as empresas, todas as marcas têm uma linha artística.”
E a evolução continua. Com a ajuda de um amigo-investidor, ela já tem sua própria marca, a Monstra Maçã. Está apenas começando, mas quando fala dela, seus olhos azuis brilham. “Faço tudo, desenhos, modelos. Mas está muito no começo ainda, por isso falo sempre com um pouco de pé atrás, mas acho que vai concretizar.”
Mas nem todas as experiências profissionais de Karen Jonz foram bem sucedidas. A skatista não consegue esconder a frustração de uma faculdade de Rádio e TV que para ela, pouco acrescentou. “Entrei muito nova, acho que ninguém com 17 anos tem condições de escolher uma profissão”, desabafou.
Jorge Corrêa 
Em Santo André (SP)

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Um comentário:

GiLsk8 disse...

Karen além de andar muito bem ainda manda bem nos desenhos.