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18 de jan. de 2011

SkatistAs na Avenida Raul Barbosa, Fortaleza/CE.

Por Sheryda Lopes
Jornalista

Subindo e descendo rampas, executando manobras e vencendo obstáculos. Se em algum momento o skate foi considerado um esporte exclusivamente masculino, esse padrão vem perdendo força. Na Internet é possível encontrar vários blogs que tratam exclusivamente de mulheres que arrasam em cima de seus carrinhos. Vários vídeos mostram manobras realizadas com perfeição, e a mulherada vem marcando presença em campeonatos e nos espaços construídos para praticar o esporte. Na pista localizada na Avenida Raul Barbosa, por exemplo, a quantidade de meninas só aumenta.

Uma delas é Daniele Tamires, que tem 15 anos e anda de skate há apenas seis meses. Pode parecer pouco tempo, mas já foi suficiente para a skatista conquistar o segundo lugar num campeonato realizado em 2010.

“Ah, pra mim ta bom! Quer dizer, eu ando só por diversão, porque gosto, não é para concorrer em campeonato. Fiquei feliz com a minha colocação.” Mesmo que a intenção não seja competir profissionalmente, Daniele se animou com o resultado de sua primeira competição e pretende correr em todos os campeonatos deste ano. “Agora minha mãe está me apoiando e eu vou poder viajar para participar.”

Para ela não há nada que impeça uma mulher de se desenvolver no skate, mas admite que já sofreu discriminação por praticar o esporte. “Até mesmo não só por ser mulher, mas por ser skatista. Mas também tem gente que vem dizer que menina não pode andar, até o pessoal da família. Mas pra mim isso é só mais um obstáculo a ser derrubado.”

Maria Clara é outra menina que enfrenta o preconceito. Ela tem apenas 9 anos e anda de skate há 7 meses, quando os pais a matricularam numa escolinha. Apesar de ter bastante apoio da família, ela afirma que alguns amigos da escola não acham normal que ela pratique o esporte. “Eles vieram dizer que menina não pode andar de skate porque isso é coisa de menino. Mas para mim isso não existe, esse negócio de que tem coisa que é só para menina e coisa que é só para menino. Skate é para qualquer pessoa que queira.”

Da mesma forma que Clara não baixa a cabeça para o preconceito, também não tem medo de vencer os desafios. Ela conta uma das dificuldades que encontrou logo que começou a praticar. “Quando eu fui descer aquela pista alta ali, tipo dupla. Eu sempre saia de cima antes, não conseguia ficar no skate. Agora desço em todas as rampas.

O pai da menina é o marceneiro Cristian Pereira. Ele acompanha a filha quando ela quer ir ao pólo e observa de longe enquanto Clara treina as manobras. “Agora eu estou acostumado, mas antes ficava com o coração apertadinho. Ela caía, se machucava, chorava, mas não queria ir embora. Queria insistir até conseguir.” Ele afirma que dá apoio para a filha, e que desde cedo ela mostrou vontade de praticar esportes.

“Com três anos de idade ela pediu um quimono para praticar judô, depois quis andar de patins. Quando pediu o skate não fiquei surpreso. Matriculamos ela na escolinha e sempre que posso a trago. Eu dou todo o apoio, deixo ela bem à vontade”, afirma Cristian. Para ele, o apoio da família é importante e as meninas não devem ser impedidas de praticar.

Para as meninas que estão a fim de praticar o esporte mas têm medo, Daniele deixa o recado: “Ah, vem andar de skate! Vai mudar sua vida, é tão bom! Conhecer pessoas novas, lugares novos, quedas novas e novas cicatrizes.rs Mas é bom. Skate é muito bom.” E Clara reforça: “Skate é para os dois sexos. Quem tiver a fim de aprender é só praticar.”

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